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01 Fev 2013
Coisas que até um ateu pode ver
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Augustos Nicodemus Lopes

Por: Augustus Nicodemus Lopes

Um número razoável de cientistas e filósofos ateus ou agnósticos vem em anos recentes engrossando as fileiras daqueles que expressam dúvidas sérias sobre a capacidade da teoria da evolução darwinista para explicar a origem da vida e sua complexidade por meio da seleção natural e da natureza randômica ou aleatória das mutações genéticas necessárias para tal.

Poderíamos citar Anthony Flew, o mais notável intelectual ateísta da Europa e Estados Unidos que no início do século XXI anunciou sua desconversão do ateísmo darwinista e adesão ao teísmo, por causa das evidências de propósito inteligente na natureza. Mais recentemente o biólogo molecular James Shapiro, da Universidade de Chicago, ele mesmo também ateu, publicou o livro Evolution: A View from 21st Century onde desconstrói impiedosamente a evolução darwinista.


Thomas Nagel

E agora é a vez de Thomas Nagel, professor de filosofia e direito da Universidade de Nova York, membro da Academia Americana de Artes e Ciências, ganhador de vários prêmios com seus livros sobre filosofia, e um ateu declarado. Ele acaba de publicar o livro Mind & Cosmos (“Mente e Cosmos”) com o provocante subtítulo Why the materialist neo-darwinian conception of nature is almost certainly false (“Por que a concepção neo-darwinista materialista da natureza é quase que certamente falsa”), onde aponta as fragilidades do materialismo naturalista que serve de fundamento para as pretensões neo-darwinistas de construir uma teoria do todo (Não pretendo fazer uma resenha do livro. Para quem lê inglês, indico a excelente resenha feita por William Dembski e o comentário breve de Alvin Plantinga).

Estou mencionando estes intelectuais e cientistas ateus por que quando intelectuais e cientistas cristãos declaram sua desconfiança quanto à evolução darwinista são descartados por serem "religiosos". Então, tá. Mas, e quando os próprios ateus engrossam o coro dos dissidentes?

Neste post eu gostaria apenas de destacar algumas declarações de Nagel no livro que revelam a consciência clara que ele tem de que uma concepção puramente materialista da vida e de seu desenvolvimento, como a evolução darwinista, é incapaz de explicar a realidade como um todo. Embora ele mesmo rejeite no livro a possibilidade de que a realidade exista pelo poder criador de Deus, ele é capaz de enxergar que a vida é mais do que reações químicas baseadas nas leis físicas e descritas pela matemática. A solução que ele oferece ? que a mente sempre existiu ao lado da matéria ? não tem qualquer comprovação, como ele mesmo admite, mas certamente está mais perto da concepção teísta do que do ateísmo materialista do darwinismo.

Ele deixa claro que sua crítica procede de sua própria análise científica e que mesmo assim não será bem vinda nos círculos acadêmicos:

“O meu ceticismo [quanto ao evolucionismo darwinista] não é baseado numa crença religiosa ou numa alternativa definitiva. É somente a crença de que a evidência científica disponível, apesar do consenso da opinião científica, não exige racionalmente de nós que sujeitemos este ceticismo [a este consenso] neste assunto” (p. 7).

“Eu tenho consciência de que dúvidas desta natureza vão parecer um ultraje a muita gente, mas isto é porque quase todo mundo em nossa cultura secular tem sido intimidado a considerar o programa de pesquisa reducionista [do darwinismo] como sacrossanto, sob o argumento de que qualquer outra coisa não pode ser considerada como ciência” (p.7).

Ele profetiza o fim do naturalismo materialista, o fundamento do evolucionismo darwinista:

“Mesmo que o domínio [no campo da ciência] do naturalismo materialista está se aproximando do fim, precisamos ter alguma noção do que pode substitui-lo” (p. 15).

Para ele, quanto mais descobrimos acerca da complexidade da vida, menos plausível se torna a explicação naturalista materialista do darwinismo para sua origem e desenvolvimento:

“Durante muito tempo eu tenho achado difícil de acreditar na explicação materialista de como nós e os demais organismos viemos a existir, inclusive a versão padrão de como o processo evolutivo funciona. Quanto mais detalhes aprendemos acerca da base química da vida e como é intrincado o código genético, mais e mais inacreditável se torna a explicação histórica padrão [do darwinismo]” (p. 5).

“É altamente implausível, de cara, que a vida como a conhecemos seja o resultado da sequência de acidentes físicos junto com o mecanismo da seleção natural” (p. 6).

Não teria havido o tempo necessário para que a vida surgisse e se desenvolvesse debaixo da seleção natural e mutações aleatórias:

“Com relação à evolução, o processo de seleção natural não pode explicar a realidade sem um suprimento adequado de mutações viáveis, e eu acredito que ainda é uma questão aberta se isto poderia ter acontecido no tempo geológico como mero resultado de acidentes químicos, sem a operação de outros fatores determinando e restringindo as formas das variações genéticas” (p. 9).

Nagel surpreendentemente defende os proponentes mais conhecidos do design inteligente:

“Apesar de que escritores como Michael Behe e Stephen Meyer[1] sejam motivados parcialmente por suas convicções religiosas, os argumentos empíricos que eles oferecem contra a possibilidade da vida e sua história evolutiva serem explicados plenamente somente com base na física e na química são de grande interesse em si mesmos... Os problemas que estes iconoclastas levantam contra o consenso cientifico ortodoxo deveriam ser levados a sério. Eles não merecem a zombaria que têm recebido. É claramente injusta” (p.11).

Num parágrafo quase confessional, Nagel reconhece que lhe falta o sentimento do divino que ele percebe em muitos outros:

“Confesso um pressuposto meu que não tem fundamento, que não considero possível a alternativa do design inteligente como uma opção real ? me falta aquele sensus divinitatis [senso do divino] que capacita ? na verdade, impele ? tantas pessoas a ver no mundo a expressão do propósito divina da mesma maneira que percebem num rosto sorridente a expressão do sentimento humano” (p.12).

Para Nagel, o evolucionismo darwinista, com sua visão materialista e naturalista da realidade, não consegue explicar o que transcende o mundo material, como a mente e tudo que a acompanha:

“Nós e outras criaturas com vida mental somos organismos, e nossa capacidade mental depende aparentemente de nossa constituição física. Portanto, aquilo que explicar a existência de organismos como nós deve explicar também a existência da mente. Mas, se o mental não é em si mesmo somente físico, não pode, então, ser plenamente explicado pela ciência física. E então, como vou argumentar mais adiante, é difícil evitar a conclusão que aqueles aspectos de nossa constituição física que trazem o mental consigo também não podem ser explicados pela ciência física. Se a biologia evolutiva é uma teoria física ? como geralmente é considerada ? então não pode explicar o aparecimento da consciência e de outros fenômenos que não podem ser reduzidos ao aspecto físico meramente” (p. 15).

“Uma alternativa genuína ao programa reducionista [do darwinismo] irá requerer uma explicação de como a mente e tudo o que a acompanha é inerente ao universo” (p.15).

“Os elementos fundamentais e as leis da física e da química têm sido assumidos para se explicar o comportamento do mundo inanimado. Algo mais é necessário para explicar como podem existir criaturas conscientes e pensantes, cujos corpos e cérebros são feitos destes elementos” (p.20).

Menciono por último a perspicaz observação de Nagel, que se a mente existe porque sobreviveu através da seleção natural, isto é, por ter se tornado na coisa mais esperta para sobreviver, como poderemos confiar nela? E aqui ele cita e concorda com Alvin Plantinga, um filósofo reformado renomado:

“O evolucionismo naturalista provê uma explicação de nossas capacidades [mentais] que mina a confiabilidade delas, e ao fazer isto, mina a si mesmo” (p. 27).

“Eu concordo com Alvin Plantinga que, ao contrário da benevolência divina, a aplicação da teoria da evolução à compreensão de nossas capacidades cognitivas acaba por minar nossa confiança nelas, embora não a destrua por completo. Mecanismos formadores de crenças e que têm uma vantagem seletiva no conflito diário pela sobrevivência não merecem a nossa confiança na construção de explicações teóricas do mundo como um todo... A teoria da evolução deixa a autoridade da razão numa posição muito mais fraca. Especialmente no que se refere à nossa capacidade moral e outras capacidades normativas ? nas quais confiamos com frequência para corrigir nossos instintos. Eu concordo com Sharon Street [professora de filosofia na Universidade de Nova York] que uma auto-compreensão evolucionista quase que certamente haveria de requerer que desistíssemos do realismo moral, que é a convicção natural de que nossos juízos morais são verdadeiros ou falsos independentemente de nossas crenças” (p.28).

Não consegui ler Nagel sem lembrar do que a Bíblia diz:

"Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim" (Eclesiastes 3:11).

"De um só Deus fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós" (Atos 17:26-27).

Nagel tem o sensus divinitatis, sim, pois o mesmo é o reflexo da imagem de Deus em cada ser humano, ainda que decaídos como somos. Infelizmente o seu ateísmo o impede de ver aquilo que sua razão e consciência, tateando, já tocaram.

[1] Os dois são os mais conhecidos defensores da teoria do design inteligente. Ambos já vieram falar no Mackenzie sobre este assunto.

Transcrito do Blog: "O Temporas! O Mores!"


01 Fev 2013
Se Essa Rua Fosse Minha...
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Por: Robson Vitorino (*)

Ser criança é tão bom não é mesmo? Muitas vezes nos flagramos pensando nisso por achar que crianças não tem responsabilidades. Isso não é verdade. Já parou para pensar que as crianças são cobradas a todo momento? Não mexe aí? Fez o dever de casa? Vai tomar banho, e por aí vai.

Talvez pensamos que ser criança é tão bom pelo fato de não precisar lidar com muitos problemas. Mas já pensou na quantidade de problemas que as crianças resolvem num dia? Quantas coisas que lhe eram desconhecidas e passam a ser conhecidas. Já percebeu como elas lidam com o novo, com o desconhecido?

Dentre desse contexto é fundamental destacar a facilidade como as crianças dizem “eu não sei” ou ainda “o que é isso? O que significa?” é uma facilidade para aprender o novo, sem compromisso nenhum com a vaidade do saber.

Enquanto os adultos dificultam as coisas, seja pela vaidade, pelo egoísmo, pelas disputas, as crianças tem uma grande tendencia em simplificar as coisas.. Certa vez a minha sobrinha de 5 anos me perguntou para que servia o ar condicionado. Tentei explicar a ela que o aparelho retira o ar quente e assopra o ar gelado para dentro do ambiente. Ela nem me deixou terminar a explicação e já soltou ” então esse negócio serve para não deixar a gente toda suada né tio?”

As crianças são pragmáticas e sinceras . Não ouse perguntar a uma criança se ela gosta de você a não ser que você esteja preparado para qualquer resposta. Os adultos são reféns do “politicamente correto” e abrem mão das suas verdades para concordar com os absurdos politicamente corretos que os seus “chefes” dizem. A questão é que a verdade liberta!

Muitas idéias inovadoras e projetos brilhantes não são visíveis ao mundo dos adultos. É preciso ser como criança para enxergá-las. É preciso resgatar a ingenuidade. É preciso romper com o medo do fracasso e do ridículo.

Engraçado, refiro-me às crianças como se nunca a tivesse sido. Preciso resgatá-la.

Esse vídeo abaixo ilustra bem o que uma criança pode fazer quando sonha:

(*) Robson Vitorino - é palestrante, professor, articulista e consultor nas áreas de Marketing, Comunicação, Liderança e Gestão de Pessoas ? www.robsonvitorino.com.br


31 Jan 2013
Descontrolando o Tempo
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Por: Robson Vitorino (*)

“Eu fiz um acordo com o tempo…
Nem ele me persegue, nem eu fujo dele…
Qualquer dia a gente se encontra e,
Dessa forma, vou vivendo
Intensamente cada momento”…
Mário Lago

A primeira vez que eu vi o filme “Click” com Adam Sandler eu fiquei emocionado. Na segunda vez também. Na terceira também. Vai ver que eu sou muito emotivo mesmo, mas a questão é que o filme tem uma mensagem fantástica. Caso você já tenha visto permita-me relembrar algumas partes, mas caso não tenha visto, não se preocupe eu não irei lhe contar que no final o protagonista…. Ops!

O filme mostra a vida de um arquiteto, casado e pai de dois filhos. Ele foca sua vida no trabalho ansioso em chegar no momento em que estará com a sua situação financeira equilibrada e, então poder desfrutar dos prazeres da vida. O detalhe é que ele tem um controle remoto que tem o poder de avançar o tempo (somente avançar) e ele vai avançando para a parte que ele anseia que se concretize. O tempo vai passando aceleradamente e ele percebe que pulou vários capítulos importantes da sua vida quando estava com o foco apenas no momento em que ele conseguiria estabilizar profissionalmente, como presidente da sua empresa, e então, presidente da sua vida.

E você? Se tivesse um controle remoto com este poder o que faria? Mas quem disse que você não tem um? O que você me diz a respeito do momento que você não consegue equilibrar as suas atividades, inevitavelmente, você acabar por sacrificar outros momentos importantes que poderiam ser vividos por você e não foram? Talvez seja a esposa, marido ou filhos solicitando um pouco mais de atenção. Ou ainda seus pais requerendo um tempinho da sua agenda para um beijo e um abraço rápido. Tem muita gente que vem avançando e pulando capítulos importantes da vida e que, infelizmente, não terá como clicar em “voltar” nem como teclar “ctrl Z”. Geralmente este controle remoto responde pelo nome de “Ansiedade” e só faz avançar. A palavra ansiedade tem origem do termo grego anshein, que significa “estrangular, sufocar, oprimir”. O termo correlato, angústia, origina-se do latim angor que significa “opressão” ou “falta de ar”, e angere quer quer dizer “causar pânico”. Essas palavras latinas derivam da raiz germânica angh, indicando “estreitamento ou constrição”. Todos esses termos se referem, metaforicamente, à experiência subjetiva característica da ansiedade.

A ansiedade, sob a ótica do “Cronos”, é a tentativa de acelerar o tempo e viver de imediato algo que pode estar reservado para o futuro. É o controle remoto, só que na vida real ao invés de adiantar o tempo e nos levar para este futuro. É querer colher sem que a semente cresça e dê frutos. Este sentimento faz com que apenas concentremos nossa atenção e esforços em determinada atividade deixando as demais de lado. Não há como negar que a ansiedade é algo ruim e que diminui a sua qualidade de vida. Quando você não administra bem o seu tempo, o que passou volta-se contra você em forma de arrependimento. É o “Eu te amo” para alguém que já se foi, é o “Sim” para iniciar o relacionamento com outra metade, e por aí vai. Conforme o grande sábio Salomão citou no livro de Eclesiastes “Há um tempo determinado para todas as coisas. Tempo de plantar, tempo de colher, etc..”

Acionamos este controle remoto, pulando capítulos da nossa vida, a partir do momento que dedicamos tempo demasiado em determinadas atividades. Atualmente esse fenômeno vem acontecendo intensamente na área profissional. As empresas estão demandando cada vez mais de cada profissional, com objetivos cada vez mais ousados e surreais vem tentando nos submeter a uma subvida. Os efeitos colaterais deste regime de subvida é a alucinação de que o tempo está passando rápido demais. É terminar um dia de trabalho achando que não rendeu nada.

Faça um acordo com o tempo, não queira pular os capítulos da sua história. Viva o que você tem para viver fazendo de cada minuto o melhor minuto da sua vida, de forma que o seu passado seja a lembrança de uma vida bem vivida e não uma enxurrada de lamentações. Plante e regue sua semente com suor, espere ela crescer e dar furtos, pare e saboreie estes frutos, volte a plantar, e assim por diante. Agora, se por acaso a ansiedade tentar lhe persuadir a pular capítulos da sua vida, lembre-se do sábio Salomão. Lembre-se do poeta Mário Lago e não persiga o tempo, pois será como correr atrás do vento. Ao invés disso, sente-se e desfrute de uma boa música, uma poesia, uma boa companhia, leia um artigo, como uma boa comida e celebre a vida descontrolando o tempo.

(*) Robson Vitorino - é palestrante, professor, articulista e consultor nas áreas de Marketing, Comunicação, Liderança e Gestão de Pessoas ? www.robsonvitorino.com.br


29 Jan 2013
Entre Marta e Maria
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Marta não percebeu que estava se privando da relação com o Mestre


Rev. Ricardo Agreste

Por: Ricardo Agreste

As palavras de Jesus a Marta nos convidam a integrar a contemplação à nossa rotina repleta de atividades e a incluir um tempo para a quietude e o silêncio em nossas agendas abarrotadas de compromissos.

O relato da visita de Jesus à casa das irmãs Marta e Maria, registrado em Lucas 10.38-42, sempre me levou a alguns questionamentos. A forma como costumeiramente esse trecho das Escrituras é interpretado faz com que nos sintamos pressionados a optar entre duas possibilidades, que parecem extremamente restritas e incompletas ? a de sermos contemplativos, como Maria se mostrou ali, ou engajados, a exemplo da atitude de Marta. O problema maior é que, seguindo a costumeira linha de raciocínio, Maria normalmente é tida como a pessoa que fez a escolha certa. Argumenta-se que o próprio Jesus, ao elogiá-la, justificou sua atitude, tida como exemplo de devoção e espiritualidade. Ao mesmo tempo, Marta fica estigmatizada como aquela que errou, tendo preferido dar conta dos afazeres materiais ao invés de largar tudo e, a exemplo da irmã, permanecer ao lado do Mestre.

É preciso, no entanto, analisar o episódio por outras perspectivas. Em primeiro lugar, essa suposta indicação de Jesus soa inconsistente diante da biografia de outros personagens bíblicos. Quando olhamos, por exemplo,para homens como Moisés, Josué, Neemias ou Paulo, sem mencionar o próprio Jesus, encontramos pessoas com um estilo bem diferente de Maria. Suas histórias são grandemente caracterizadas pela ação. Logo, a suposta dicotomia entre a passividade e a contemplação de Maria e o engajamento e o ativismo de Marta começa a parecer equivocada. Ela dá margem para que muita gente, sob a justificativa de seguir o “bom exemplo” de Maria, negligencie o envolvimento com a missão dada por Cristo aos seus próprios discípulos. Assim, a essência da vida cristã se torna uma relação abstrata, quase esotérica, com a pessoa de Jesus.

Precisamos, além disso, observar o contexto em que Lucas registra o célebre encontro de Jesus com as duas irmãs. O trecho imediatamente anterior de seu evangelho contém a parábola do bom samaritano, na qual o Salvador aponta para a necessidade de nosso amor a Deus ter uma dimensão prática e concreta de serviço àqueles que estão à nossa volta. Neste sentido, portanto, Marta estaria fazendo justamente o papel da boa samaritana. O que passa desapercebido para maioria de nós é o sentido das palavras finais de Jesus a ela: “(...)Todavia, apenas uma [coisa] é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”. De acordo com a interpretação costumeira desta passagem, o que Jesus está dizendo aqui é: “Marta, você precisa se tornar como Maria”. Tal hipótese, contudo, seria injusta para com o fato de que pessoas com o perfil de Marta foram muito importantes no Reino de Deus. Muitos homens e mulheres descritos na Bíblia foram pessoas orientadas por tarefas, e em momento algum são desafiadas a deixar de serem como são para se tornarem contempladores passivos.

Jesus, em sua fala, usa a expressão “boa parte”. Maria havia escolhido se dedicar, naquele momento, à “boa parte”. O que ela está fazendo não é a totalidade do discipulado. Ser discípulo de Jesus tem inúmeras implicações, inclusive o engajamento no serviço objetivo e concreto àqueles que nos cercam. Mas a “boa parte” do discipulado é estar aos pés do Mestre, ouvindo a sua voz e reorientando o mundo interior a partir de suas palavras. Logo, neste sentido, Jesus não está confrontando Marta a deixar de ser Marta e se tornar Maria; ele está, isso sim, desafiando Marta a perceber que, em meio às muitas tarefas, preocupações e inquietações, estava se privando e desprezando a “boa parte” do discipulado: a relação pessoal e íntima com o Mestre.

Este é o ponto principal da história: Marta, em meio à sua agenda atribulada, perdeu a percepção da presença de Jesus em sua própria sala de estar. Da mesma forma, em nossa rotina diária, envolvidos que somos por inúmeras demandas e pressionados por vários imprevistos, também perdemos a consciência da presença de Deus em nossas histórias. Não vemos mais o Senhor agindo em nós, por nós e através de nós.

As palavras de Jesus a Marta nos convidam não a uma substituição da atividade pela contemplação, e nem a trocar o dinamismo pela passividade. Suas palavras nos estimulam a integrar a contemplação à nossa rotina repleta de atividades e a incluir um tempo para a quietude e o silêncio em nossas agendas abarrotadas de compromissos urgentes. Só assim poderemos viver neste mundo sem perder a percepção da presença de Jesus, a todo tempo, em nossas vidas.

Fonte: Cristianismo Hoje


29 Jan 2013
Liderando ComPaixão
0 Comentários - Comentar  ::  Categoria: Oportunidades de Negócios

Por: Robson Vitorino (*)

A palavra compaixão é derivada das palavras latinas pati e cum, que significam “sofrer com”. Não é razoável pensar que compaixão é uma característica nata. Pelo contrário, ao nos depararmos com uma situação de sofrimento alheio, nossa primeira reação é se proteger, olhar para nós e respirar aliviados de que aquele sofrimento não é conosco.

Em uma recente pesquisa realizada em 2012, a Ph.D e professora da Universidade de Houston, Brené Brown, revela em seu livro “A arte da imperfeição ” que as pessoas mais compassivas estabelecem limites. A pesquisa aponta ainda que a aceitação é o cerne da compaixão e que quanto melhores formos em nos aceitar e aceitar aos outros, mais compassivos nos tornamos.

Já que a compaixão não é uma característica nata, é fundamental para quem deseja exercitá-la, começar por estabelecer limites e responsabilizar as pessoas por seu comportamento.

Crianças não obedecem aos pais porque a obediência é uma virtude. Elas o fazem porque sabem das consequências. Ficarão de castigo ou serão privadas de algo prazeroso. Agora o inverso também é verdadeiro. Pais que não impõe limites aos seus filhos acabam por sabotar a sua criação e depois gastam rios de dinheiro tentando encontrar o culpado. Se não estabelecermos as consequências adequadas, as pessoas aprendem a ignorar nossas solicitações, ainda que soem como ameaças e ultimatos.

A sociedade é assim. O meio corporativo também. Vivemos numa cultura de culpa. Estamos acostumados a encontrar culpado para tudo. Somos bons acusadores, mas raramente responsabilizamos quem deve ser responsabilizado. Nossas acusações são recheadas de raiva e insatisfações que não nos sobra energia para realizarmos proposições construtivas, com compaixão.

Esta situação fica agravada quando acontece numa relação líder ? liderados. Não é raro vermos líderes esbravejando com a sua equipe de forma continuada e pouco eficaz. Somos testemunhas de líderes que usam a vergonha como ferramenta administrativa com os seus liderados. Líderes decepcionados que buscam culpados. E quando um líder usa de acusação e vergonha como instrumento de pressão para resultados, o único comportamento questionável é o dele mesmo, e o resultado mais provável que irá colher é o Presenteísmo ? Segundo o médico Sérgio Carvalho e Silva, “O termo diz respeito às pessoas que comparecem ao local de trabalho, mas, por motivos variados, não conseguem manter a produtividade e criatividade dentro do normal”.

Estabelecer limites e tornar as pessoas responsáveis por aquilo que fazem dá muito mais trabalho do que acusar e envergonhar. Ser um líder verdadeiro implica em praticar a compaixão estabelecendo limites, criando um compromisso transparente com os liderados.

(*) Robson Vitorino - é palestrante, professor, articulista e consultor nas áreas de Marketing, Comunicação, Liderança e Gestão de Pessoas ? www.robsonvitorino.com.br


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